segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tempestade

Lembra do seu sonho?
Parece que aquela Tempestade que você sonhou já passou...
As correntezas do destinho nos espalharam em diferentes caminhos...
Poderá o tempo ainda unir o que o destino separou?
Talvez nunca descobriremos...

sábado, 2 de julho de 2011

De Regresso a Satolep

Alguns dias fora
E retorno correndo a Satolep
Sem demora,
E novamente trago
O coração renovado,
Esperançoso
Por um afago carinhoso,
Mas Satolep chove...
O inverno algoz
Absorve,
Atroz.

Fria Satolep sombria
Este não é teu melhor dia,
Estremeço
Tenho a alma congelada,
Esmoreço
Vai ser feia a geada,
Mas me aqueço
Com um bom vinho
E preparo o ninho
Que hoje só a cama quente alivia.

Satolep dos meus passos
Quero sonhar-te
No calor dos cobertores
Entre meus braços,
Sonhar com novos amores
E navegar-te
Em dias ensolarados
Pelas tuas ruas e telhados,
Pelos teus casarões e imensidões...

‎(27/06/2001 00:55 de retorno a Satolep, depois de uma semana fora, chegando numa noite chuvosa e gelada mas com saudade.)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Noites de inverno

No frio do inverno abraço
Tua lembrança impressa no endredon.
Imagino teu corpo
Alheio entre os lençóis.
Beijo tua aura dispersa em minha mente.
Refugio-me do hálito agudo das noites de gelo
Em minhas memórias ainda ardentes
Dos tempos de tua presença.
Nestas incendiarias noites tantas vezes morri
Relembrando o caminho dos teus olhos,
Percorrendo o trajeto dos teus lábios,
Sonhando com tua pele cristalina, 
Teu aroma, teu toque, teu desejo.


Ah longas noites torturantes de inverno!

Arte Tumular Cemitério São Francisco de Paula

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Digressões (A Propósito do Caos III e IV)

III


Quero fazer um poema com a cidade em minhas mãos.


Quero fazer sangrar desta folha crua 
De tão pura alvura que me agride
A brutal conseqüência de ser livre,
De jogar-se ao abismo devorador
Para tomar como medida o limite da dor.


Quero voar livre de restrições,
Quero tossir e limpar os pulmões,
Quero estar preparado, quieto, imaculado
E libertar as palavras para a competição sem coerência.
Quero ser presente sendo ausência,
Quero desvendar a consciência
Do seu véu de ilusão.


Oh batalhões de sombras da noite,
Estamos prontos, venham conquistar-nos agora!


IV


Brinquedos de corda,
Caixas de música,
Bailarina do asfalto
Dançando ao som de sirenes.


Há uma fera enjaulada no coração da cidade,
Há uma fera suplicando por liberdade.


Em dias de nicotina,
Em noites de cafeína,
Desalento, álcool e gasolina.


Quero fazer um poema com a cidade em minhas mãos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Digressões (a Propósito do Caos) I e II

I

Definições
 

Posto que ainda estou vivo
 – fato intrigante em minha persona cética.
 E que da nitidez da memória urbana
 – folclores e lendas do dia a dia.
 Não restaram resquícios suficientes
 Para libertar novamente os sonhos
 E tecer teus olhos com nova luz,
 Para que enfim vejas todas as cores
 E toda candura e decadência dos movimentos
 Simétricos do caos,
 Entre luz e sombra na confusão do meio dia
 Na convulsão do dia inteiro.
 Posto que ainda estou lúcido
 – fato pouco provável em minha mente febril.
 Devo então arcar com as conseqüências
 Desta máquina frenética chamada “realidade”,
 E tentar capturar no olhar
 Todas as matizes, nuances e sensações
 Dos delírios coletivos.

II
 

Piano em suave melodia a beira do abismo...
 O crepúsculo alastra chamas pelo horizonte...
 A noite avança em velas pandas pelos confins...
 Este é cenário ideal,
 Este é o vôo máximo:
 Cativo minha alma para o desdobramento,
 Elevo meus pensamentos aos mundos paralelos,
 Desafio às alturas e suas ditaduras.
 – Saiam do meu caminho anjos simplórios!
 Deixem passar minha carcaça e minha desgraça.
 Deixem-me pular para o abismo,
Voar qual cometa suicida,
 Estrela em chamas,
 Alma cadente em asas de cera.
 Deixem-me bradar além das fronteiras deste plano
 As notícias do inferno.

Digressões (a Propósito do Caos)

Digressão s.f. (lat. digressio, ação de se afastar). 1. Desvio ou distração do assunto, para outro diferente daquele de que se trata. 2. Subterfúgio, evasiva. 3. Excursão, passeio. ...



I am someone (Caos City) /Gustavo

   Nome de Blog pomposo, mas explico-me, embora este não seja o meu forte, e tudo que se precisa explicar muito fique chato, mas o porque de Digressões? Por que é como bem a palavra explica, este Blog é um desvio do assunto, o mais difícil hoje em dia é ser direto, o mais difícil hoje em dia é tratar de um assunto óbvio sem subterfúgios, sem cair na tentação de se desvia da linha central, tamanho é nosso acúmulo de informações, na grande maioria das vezes inúteis, mas que são tentadoras por demais, não conseguimos ser indiferentes e irmos direto ao ponto em que se queria e deveria chegar.   Assim é a humanidade, cheia de tentações a beira do caminho.
O porque do "(a Propósito do Caos)"? Entre parenteses, para parecer nome de música rsrs, não é pra dar uma distância do título principal "Digressões" e fazer pensar... bem são digressões, são desvios de assunto, mas por que? A que propósito se esta desviando do assunto?... "A propósito do Caos" que vivemos no dia a dia e que nos faz cair em tentação e não nos deixa sermos seres diretos e mais objetivos no que queremos e pensamos, tudo a nossa volta é muito inconclusivo, há notícias demais, informação demais, selecionar o que vale a pena do que não vale é complicado algo que o Google ainda não tem como julgar e nem é bom que julgue, afinal não queremos ditadores da informação a nos dizer que caminho é melhor seguirmos, o que é bom pra uns não é bom pra outros e assim se faz as diferenças e assim a vida tem mais graça.