I
Definições
Posto que ainda estou vivo
– fato intrigante em minha persona cética.
E que da nitidez da memória urbana
– folclores e lendas do dia a dia.
Não restaram resquícios suficientes
Para libertar novamente os sonhos
E tecer teus olhos com nova luz,
Para que enfim vejas todas as cores
E toda candura e decadência dos movimentos
Simétricos do caos,
Entre luz e sombra na confusão do meio dia
Na convulsão do dia inteiro.
Posto que ainda estou lúcido
– fato pouco provável em minha mente febril.
Devo então arcar com as conseqüências
Desta máquina frenética chamada “realidade”,
E tentar capturar no olhar
Todas as matizes, nuances e sensações
Dos delírios coletivos.
II
Piano em suave melodia a beira do abismo...
O crepúsculo alastra chamas pelo horizonte...
A noite avança em velas pandas pelos confins...
Este é cenário ideal,
Este é o vôo máximo:
Cativo minha alma para o desdobramento,
Elevo meus pensamentos aos mundos paralelos,
Desafio às alturas e suas ditaduras.
– Saiam do meu caminho anjos simplórios!
Deixem passar minha carcaça e minha desgraça.
Deixem-me pular para o abismo,
Voar qual cometa suicida,
Estrela em chamas,
Alma cadente em asas de cera.
Deixem-me bradar além das fronteiras deste plano
As notícias do inferno.
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