terça-feira, 14 de junho de 2011

Digressões (a Propósito do Caos) I e II

I

Definições
 

Posto que ainda estou vivo
 – fato intrigante em minha persona cética.
 E que da nitidez da memória urbana
 – folclores e lendas do dia a dia.
 Não restaram resquícios suficientes
 Para libertar novamente os sonhos
 E tecer teus olhos com nova luz,
 Para que enfim vejas todas as cores
 E toda candura e decadência dos movimentos
 Simétricos do caos,
 Entre luz e sombra na confusão do meio dia
 Na convulsão do dia inteiro.
 Posto que ainda estou lúcido
 – fato pouco provável em minha mente febril.
 Devo então arcar com as conseqüências
 Desta máquina frenética chamada “realidade”,
 E tentar capturar no olhar
 Todas as matizes, nuances e sensações
 Dos delírios coletivos.

II
 

Piano em suave melodia a beira do abismo...
 O crepúsculo alastra chamas pelo horizonte...
 A noite avança em velas pandas pelos confins...
 Este é cenário ideal,
 Este é o vôo máximo:
 Cativo minha alma para o desdobramento,
 Elevo meus pensamentos aos mundos paralelos,
 Desafio às alturas e suas ditaduras.
 – Saiam do meu caminho anjos simplórios!
 Deixem passar minha carcaça e minha desgraça.
 Deixem-me pular para o abismo,
Voar qual cometa suicida,
 Estrela em chamas,
 Alma cadente em asas de cera.
 Deixem-me bradar além das fronteiras deste plano
 As notícias do inferno.

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