quarta-feira, 15 de junho de 2011

Digressões (A Propósito do Caos III e IV)

III


Quero fazer um poema com a cidade em minhas mãos.


Quero fazer sangrar desta folha crua 
De tão pura alvura que me agride
A brutal conseqüência de ser livre,
De jogar-se ao abismo devorador
Para tomar como medida o limite da dor.


Quero voar livre de restrições,
Quero tossir e limpar os pulmões,
Quero estar preparado, quieto, imaculado
E libertar as palavras para a competição sem coerência.
Quero ser presente sendo ausência,
Quero desvendar a consciência
Do seu véu de ilusão.


Oh batalhões de sombras da noite,
Estamos prontos, venham conquistar-nos agora!


IV


Brinquedos de corda,
Caixas de música,
Bailarina do asfalto
Dançando ao som de sirenes.


Há uma fera enjaulada no coração da cidade,
Há uma fera suplicando por liberdade.


Em dias de nicotina,
Em noites de cafeína,
Desalento, álcool e gasolina.


Quero fazer um poema com a cidade em minhas mãos.

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